A pergunta de um milhão de dólares

Com quem viajar?

Entramos no taxi ou vamos a pé? Escolhemos o barco chique ou o mais simprinho? Ficamos na fila ou voltamos outro dia? Decisões como essas são constantes e envolvem investimento, expectativa e até valores muito pessoais. Entre família, amigos, casal ou com a gente mesmo, é preciso estar em sintonia.

Voo solo

Se você é uma pessoa bem resolvida, vai amar viajar sozinho e tirar de letra. Se não é, precisa só tomar alguns cuidados (e talvez de um bom terapeuta, bem-vindo ao clube). O primeiro é se certificar que você também vai conviver com outras pessoas, pra equilibrar as coisas e não bater o ruim da solidão. Ficar em hostel e adotar uma postura mais aberta já é meio caminho andado. Se jogue, participe das brincadeiras bestas que os australianos te apresentam, siga o pub crowl, se envolva nas conversas. Você não tem motivos pra sentir vergonha de gente que nunca mais vai te ver na vida. No meio disso tudo, podem rolar alguns diálogos inspiradores e umas amizades inesperadas.

A grande vantagem de ser tu y tu mismo é que você acaba observando melhor os lugares e as pessoas, além de descobrir coisas bem importantes a seu respeito. Leve o mínimo de bagagem possível, porque você não tem com quem deixar suas coisas e uma cabininha de banheiro não comporta você, uma privada e uma mochila de 90 litros. O que você não pode esquecer: dois livros bem bons, papel e caneta para guardar pensamentos e uma playlist fudida pra te servir de trilha.

De parzinho

Viajar em casal é tipo fazer exame de intolerância a lactose. Você toma uma dose cavalar do negócio e descobre em poucas horas se vai dar merda. Se vocês não estão bem, é perigoso. Porque viagens nem sempre são um mar de rosas e, se a dupla não é capaz de enfrentar com bom-humor os desafios comuns do dia-a-dia, dificilmente enfrentará bem os perrengues além-mar. Assim, a aventura deixa de ser motivo de alegria e vira uma DR longa, cara e frustrante.

Agora, se vocês estão bem, aproveitem. A viagem vira uma puta oportunidade de aprender mais com o outro, vendo como ele se relaciona com o diferente, como lida com situações inesperadas, como guarda a roupa suja. Um bom companheiro de viagem é, certamente, uma boa companhia pra vida.

Em família

Aqui rolam duas alternativas. A primeira, caso a sua família seja meio mala (acontece) é planificar as atrações. Você acaba indo só em restaurante, loja e ponto turístico manjado, mas dá. A segunda, caso sua família seja fanfarrona, é convidar todo mundo a ter jogo de cintura e encarar a aventura. Spoiler: fica muito mais divertido.

O melhor é que todos ganham a chance de fazer algo “inapropriado” para a sua idade ou seu estilo, gerando uma experiência descompromissada totalmente nova. A avó quebra tudo no bar, o adolescente descobre a beleza de uma igreja antiga, a irmã mais velha se apavora na montanha russa (been there). Todo mundo se respeita, se diverte e aprende.

Com os brother

Aqui o bicho pega. Já viajei em grupos de 3, 4, 5, 13 e 19 pessoas e aprendi que a única regra capaz de evitar que a porra toda acabe em choro é: se desgrudem. As pessoas costumam ter a sensação de que um grupo de viagem precisa estar sempre junto. Não, brother. Não mesmo. É impossível que todos tenham fome ao mesmo tempo, quem dirá queiram fazer os mesmos passeios. Claro que é bom ceder pra acompanhar os outros, mas só enquanto você está feliz com isso. Virou obrigação? Tá há mais de meia hora esperando naquele banquinho desconfortável do museu? Pule fora. É só combinar tudo certinho. Como diz o Belle & Sebastian, “meet you at the statue in a hour”.

Outra coisa: por favor, tenha carinho com o ser humano (um ou mais) que montou o roteiro. Ouvir alguém reclamando do hotel que você passou horas pesquisando, avaliando e selecionando, pra agradar todo mundo, parte o coração. Pegue leve. 😉

No mais, aproveite e convide quem quiser. O número mágico da cabala viajona é quatro. Um quarteto cabe em qualquer mesa, em qualquer quarto compartilhado, em qualquer táxi, tudo dá certo. Mas se os seus amigos são sensacionais e independentes, esqueça isso. Quanto maior a turma, maior a zoeira.

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