A paisagem que fica entalhada na retina da gente

Koh Phi Phi: o que fazer

Pra começar, nada

Koh Phi Phi é o lugar perfeito para a prática do deboísmo. Dá pra passar horas batendo papo na sombra de uma árvore, lendo na areia ou caiaqueando à esmo. Aproveito pra repassar duas dicas que não provei. A primeira é pra quem curte uma Thai Massage (leia hard massage), que lá é muito barata e pode ser ainda mais relaxante em frente a praia. O segundo é o Point View, um morro com uma vista fueda, eu não fui de preguiçosa e depois fiquei só babando nas fotos dos amigos. 

Pra encher o caneco

Os bares na praia são famosos, mas eu achei mó chatão. Rola uma pirofagia lôca (essa parte é legal) e uma galera chapando em colchõezinhos, depois vira balada. Mas a bebida tava cara e a música não fez meu estilo (tia). Já os bares da vila tem um clima mais susse, vários tem um volume ameno, cerveja gelada, suecas e australianos, só alegria. Vale testar os dois rolês e ver o que você prefere, porque ficam bem próximos.

Pra conhecer

Não sei nadar e sempre morri de medo do mar, especialmente de encontrar um tubarão, uma enguia ou a baleia feia gigante que aparece nos meus pesadelos. Mas o passeio básico de Phi Phi, entre as lindas ilhas Bamboo e Mosquito, me fez engolir todo esse medo com um pouco de água salgada. É colocar a cara com o snorkel embaixo d’água, olhar todos aqueles peixes lindos e pá, você vira uma sereia. Em cinco pessoas, pegamos um barco só nosso e pagamos cerca de 50 reais o passeio de 4 horas, cada um. Tem mergulho com profundidade também e deve ser incrível pra quem garante não desmaiar na presença de uma cobra marinha. Aconselho muito a compra das sapatilhas que os caras vendem lá, porque os ouriços são monstruosos e o atendimento médico no local é bem peculiar. BEM PECULIAR.

Pra lembrar pra sempre

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Dizem que Maya Bay virou um caos desde que filmaram A Praia lá. Que é lotada demais, que não dá pra tirar uma foto sem três japas no enquadramento, que é pouca areia pra muito turista. E é verdade, pra quem não conhece o passeio fodástico no contraturno. Se você entrar nessa, não tiver problema em dormir acampado, não enjoar muito no mar e pegar condições climáticas parecidas com as minhas, a coisa vai ser mais ou menos assim:

Vai

O barco é pra 20 pessoas, vão umas 30 e poucas, mas quem se importa? Sol, cerveja e falésias impressionantes te acompanharam até a primeira parada pra snorkeling e caiaque, muito delícia. O barco segue até que, por trás de rochas gigantes, surge a praia.

Olha

Galerê todo indo embora, fazendo suas últimas selfies, e você vendo o fim de tarde naquele cenário surreal, cercado por paredes naturais monstras. Só fica na ilha a turma do teu barco, que tem autorização pra esticar o horário lá. A noite cai, rola uma jantinha boa e começa a zoeira.

Curte

Os tailandeses bebem em baldinhos e você já pode imaginar a embriagância que isso causa em nós, turistas-a-vida-é-agora. Você já ama o casal de franceses, as brasileiras já te contaram confidências, você já tem um novo apelido. De balde em balde, a alegria é tanta que você nem se liga na garoa e só se preocupa em cantar bem alto, porque seus novos amigos são maneiríssimos e tá tocando Bob Marley no luau.

Pula

Em algum momento você não enxerga mais os broder e, só então, percebe que a garoa virou um furacão. Aí volta pro barco lá em alto mar, que a essa hora se joga de um lado para o outro. Enquanto a maior parte da galera cambaleante manda um Ensaio Sobre a Cegueira, brigando ferozmente por colchonetes e sacos de dormir, você decide pular no mar escuro, em ondas frenéticas, para ver os plânctons.

Sobrevive

PENSA numa tempestade cabulosa, você de snorkel e sua visão se resume a vultos de caiaques amarrados uns nos outros. O pouco que se ouve no meio dos trovões são apitos e gritos desconexos em línguas diferentes. Você se agarra num caiaque e, ao meter a cara embaixo d’água, o caos some. Você não ouve mais nada, só vê seu corpo se mexendo e liberando um brilho verde mágico, seguido por um mar sem fim. Tira a cara da água e voltam as vozes, os raios, a ventania. Bota a cara de novo e assim vai. Não há registros desse momento porque eu tava meio ocupada com outras coisas, tipo, não morrer. Em poucos minutos dessa putaria entre Mar em Fúria e Avatar, o corpo pede descanso, hora de sair. Cuidado nessa hora: as vezes o bote em que você está se agarrando na verdade é o colete salva-vidas de um tio. E ele pode ficar muito, muito, bravo porque você está afundando a cabeça dele: “What’re you doing? What’re you doing?!”.

Dorme

Não vai ser fácil, você quis bancar o caçador de aventuras e ficou sem espaço pra descansar. Deita onde dá, se seca como dá. A cabeça fica revirando a cena que você viveu. O estômago fica revirando os baldes que você tomou. O barco ainda parece que vai tombar do tanto que balança. Mas não tomba. Segura o enjôo, se ajeita entre um pé gringo e uma bunda não identificada, que tudo dá certo.

Acorda

É difícil ter certeza de que você acordou e não é um sonho. Aquele cenário incrível tá deserto, como se tivesse acabado de ser descoberto por você. Pisar na areia ajuda o labirinto a se situar e não tem câmera que registre o que você tá vendo. Na volta ainda rola uma última parada: a fofa Monkey Beach. Depois é só secar no vento e no sol que batem no barco. Hora de olhar pras pessoas que você ama há anos e as que acabou de conhecer tão bem, dividindo comida, cantando em coro, roncando junto. Uns piraram como você, outros odiaram e ainda estão verdes de enjôo, mas a certeza é que ninguém vai esquecer as últimas 20 horas. E você percebe a mágica que acontece quando, inspirado por visual incrível, você esquece o medo e se deixa conectar com a natureza e com quem tá ao seu lado.

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“And me? I still believe in paradise. But now at least I know it’s not some place you can look for. Because it’s not where you go. It’s how you feel for a moment in your life when you’re a part of something. And if you find that moment… It lasts forever.”

Richard – A Praia

O enjôo passou. Agora o que vamos comer?

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