Walk in their shoes

O tal turismo de experiência

Há quem diga que essa é a hipsterização da mochilagem, coisa da geração que precisa encontrar sentido e exclusividade em tudo, que acha a torre Eiffel muito mainstream e garante que já fazia esse tipo de imersão before it was cool. Eu discordo muito. Acho que o tal turismo de experiência (ou turismo criativo, outro nome cretino pra uma proposta tão rica) é coisa de quem tem real curiosidade sobre a cultura que vai visitar, não importa a idade ou o grupo a que pertence, basta ter interesse pelo outro e a sorte de viver na era do compartilhamento.

Mas o que é?

É quando você consegue participar de alguma atividade que faz parte do dia-a-dia ou da tradição do lugar que está conhecendo. Isso é bem relativo? Sim. Mas é justamente a volatilidade da ideia que deixa ela mais divertida, porque personaliza o turismo. Com os exemplos fica mais fácil:

Você ama vinho e tá no Chile. Além de provar e harmonizar a coisa toda, você pode participar da colheita de uma safra, descobrindo toda a energia que está por trás da elaboração do seu Sauvignon.

Você pira em massagem e tá na Tailândia. Além de receber quatro massagens por dia, você pode aprender técnicas com um Tailandês e descobrir como é estar do outro lado.

Você ama carros e tá na Itália. Ao invés de só comprar meia dúzia de souvenirs na loja da Ferrari, você pode juntar uma grana pra alugar uma vermelhinha e pegar a estrada, descobrindo na pele como os italianos ricos se sentem.

Você ama animais e tá na Namíbia. Além de fazer um safari irado, você pode passar uns dias cuidando de babuínos e guepardos que foram vítimas de caçadores.

Você ama dançar e tá em Buenos Aires. Além de ver os chatos shows de tango, você pode, baratinho, fazer aulas de tango pra arrasar no carão quando chegar na milonga.

Você ama a nossa cultura e tá no Brasil. Aproveite que o país tá entrando com os dois pés nessa tendência e vá plantar árvore em Bonito, aprender a fazer churrasco no Rio Grande do Sul ou passar uns dias na aldeia dos Waurá e Trumai no Mato Grosso. Opções não faltam.

Por que é tão importante pros outros?

Primeiro, porque o turismo de experiência estimula a visitação o ano todo, tirando a importância da (abusiva) alta temporada. Mas, especialmente, porque ele valoriza as pessoas. Esse site aqui, por exemplo, permite que você viva todo tipo de experiência local no Sudeste Asiático com a tutoria de alguém de lá. Dá pra fazer um tour de street food com uma mina vietnamita em Hanói, te dando a letra dos melhores petiscos. Dá pra participar do plantio e da colheita de arroz, que é base da comida na ásia inteira, com uma família cambojana em Siem Reap. Dá até pra pescar no rio Nam Khan com um pescador de Luang Prabang no Laos. Você viu a foto dele? Sei lá, mas me emociona ver um tio desses, com um trabalho tão importante, finalmente ser reconhecido, podendo transmitir o seu conhecimento, sentindo orgulho do que faz e como faz. Não é uma forma linda de empoderamento?

Por que é tão importante pra nós?

Porque, além de tudo, o turismo de experiência leva a empatia ao pé da letra. Permite que a gente se coloque realmente no lugar de outras pessoas e, assim, amplie um pouco a nossa visão de mundo. Será que depois de uns dias na fazenda de arroz, conseguiremos desperdiçar comida como fazemos diariamente? Ou depois de aprender a fazer macarons com uma moça fofa, seguiremos dizendo que os franceses são metidos? Eu acho difícil.

Como foi pra mim?

IMG_4580.jpgEu nem sabia que isso existia até a última viagem, quando cheguei a um curso de culinária Khmer em Siem Reap. Nele, eu e o Bruno fizemos amigos, rimos muito e comemos putamente bem. De quebra, desvendamos alguns mistérios do mercado municipal, conhecemos a delicadeza e o tempo que os caras dedicam à culinária, aprendemos receitas ultra delicentas e descobrimos o jeito bem-humorado que os cambojanos têm de se relacionar. E levamos pra vida um pouquinho disso também. Porque pode chamar de criativo, de experiência ou como quiser. Turismo bom é o que muda a gente.

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