Posso dormir na sua casa?

As regras mágicas da brospedagem

No meio dessa baguncinha econômica e na secura por férias, uma ideia anda rondando a cabeça da moçada: viajar e ficar na casa de um amigo. Sim, a ideia é boa, contanto que seja bem executada. Quando eu comecei a mochilar, era estagiária (leia pobre e imatura) e acabei errando muito com hóspedes queridos mundo afora. Deixei um maluco comprar roupa de cama pra me receber em Londres e ainda ganhei um ingresso pro Stomp. Ou seja: não gastei nada pra ficar lá e ainda dei uma puta despesa! Pra impedir que mais coleguinhas sem-noção façam isso por aí, do lado de quem visita e de quem recebe, divido aqui o que aprendi.

Quem não pode brincar?

  1. Pessoas egoístas

Se você não curte emprestar nem elástico de cabelo, não ache que vai ser legal emprestar um banheiro. Receber alguém não é só levar pra passear, é dividir o seu espaço, tomar café da manhã junto, esperar o outro tomar banho, emprestar um pouco da sua rotina. E se você não curte, não empreste e ponto final! Pra que se colocar nessa tortura? Imagine: ver outra pessoa encostando lentamente a bochecha naquela almofada que até poucos instantes era só sua, que só conhecia o peso da sua cabeça e agora vai carregar pra sempre o cheiro de outro alguém. Se isso te incomoda, miga sua loka, primeiro procura ajuda. Depois, não abre a porta de casa. Não tenta fazer a descolada e fakear desapego às custas das férias de alguém. Porque não importa o que aconteça você vai achar toda e qualquer visita (até a sua mãe) folgada.

  1. Pessoas folgadas

Se você acha que ficar na casa de um amigo é tipo ficar num hotel só que de graça, não fique. Seu amigo (e ninguém no mundo, até onde eu saiba) não nasceu pra servir você. Sei que deve ser chato descobrir isso assim, num blog qualquer, mas eu e seu pai achamos que estava na hora de te contar. E a parte boa é que existem lugares ótimos e super baratos perfeitos pra você ficar quando viaja: se chamam albergues. Eu sou apaixonada por albergues porque eles tem um mood impagável mas, senhor amado, como reúnem gente folgada! Lá você pode praticar a sua folga com os maiores especialistas do mundo. Você pode aprender, por exemplo, como os australianos fazem para acordar não só o vizinho de beliche, mas o quarto inteiro, no meio da madrugada. O melhor é que quem vai pra hostel sabe que vai passar por isso, faz parte. Mas seu amigo não sabe e não merece passar por isso. Ele pode ter a maior paciência e ser muito de boa, vai ser foda mesmo assim. Porque você vai achar todo e qualquer anfitrião (até a sua mãe) egoísta.

Mas e as regras?

Não tem regras, a chamada era sensacionalista, foi mal. Até porque me recuso a acreditar que você fuça as coisas do amiguinho, come algo que ele não te ofereceu ou coloca sua toalha molhada em cima da toalha dele. Mas, além das obviedades do bom-senso, existem três pensamentos que valem ser lembrados antes de convidar ou “pedir pouso” por aí.

Hóspede:

  1. Não se convide a menos que tenha muita intimidade com o anfitrião. Mas, tipo, muita intimidade mesmo. Fale que pretende ir pra cidade dele e veja se pinta o convite. Mesmo se pintar, só aceite se tiver certeza que nenhum de vocês dois é egoísta ou folgado. Ou vai dar merda.
  2. Reserve uma grana pra oferecer mimos aos donos da casa. Seja um presente, uma compra gorda no mercado, um jantar, o que você achar pertinente. Você tem dois grandes motivos para ser generoso nesse mimo. Primeiro, a gratidão pelo espaço, pelo tempo e pelo carinho que recebeu. Segundo, porque você economizou uma grana ao não pagar estadia, então não seja mão-de-vaca.
  3. Procure interferir o mínimo possível na rotina da casa. Você tá de férias, quem mora ali não. Uma coisa que ajuda é agir de forma natural, se vire, pegue água na geladeira, escolha um canto pra ler um livro. Assim o anfitrião se sente à vontade também pra fazer as coisas dele ao invés de ficar fazendo cerimônia pra você.

 Anfitrião:

  1. Toque o barco. A melhor forma de fazer seu convidado se sentir a vontade é mostrar que ele não está atrapalhando o seu dia-a-dia. Deixe uma chave com ele, fique disponível no celular e combine momentos para passarem juntos. No mais, segue o baile. Assim ele se sente livre para aproveitar as férias sem te incomodar.
  2. Se você usa o espaço extra da sua casa como renda, deixe isso claro a seus amigos e parentes no momento em que oferecer estadia. Como a prática não é tão usual, é importante que a visita coloque esse valor na conta antes mesmo de comprar a passagem, para não ser pega de surpresa e ficar numa sinuca de bico.
  3. Aproveite a companhia. Tem uma festa do pijama rolando por dias na sua casa e você não pode deixar de curtir porque virou adulto! Receitas, cervejas, jogos de tabuleiro, tudo com amigos pode ser mais divertido. Além disso, você pode levar a visita aos seus cantos favoritos e turistar na sua própria cidade nas horas livres. Enjoy!

No fim das contas, a coisa é muito simples: escolha bem seus amigos. Além de uma vida mais interessante, você terá sempre hóspedes e anfitriões incríveis.

IMG_7786.JPG
Festa do pijama pra retribuir o maluco de Londres 10 anos depois. S2

 

 

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