La ciudad de Darín

As memórias felizes ficam guardadas onde a gente menos espera. As de BsAs ficaram na textura de um cachecol e no vidro de um perfume que era forte demais pro verão. Por isso, desde que começou a esfriar, a saudade passou a tocar aqui em casa como um tango arrastado. No meio dessa nostalgia maldita, por puro masoquismo, nos jogamos na filmografia do principal ator da Argentina.

Ricardo Darín é, pra mim, a representação perfeita de Buenos Aires. Não se destaca pela beleza, mas pelo charme. Vomita cultura e recita palavrões. Diverte e se diverte sem perder o olhar melancólico e cansado. Tem muitas histórias e soa arrogante aos ouvidos menos atentos. Tá sempre comendo, comprando um bolo, fritando uma milanesa, comprando mascarpone. E te surpreende.

Mas, enquanto o Darín é unânime, conheço um bocado de gente que não curtiu Buenos Aires. Sempre que pergunto o que fizeram por lá a resposta é semelhante: “Fomos na Calle Florida (brasileiro e sua mania de viajar pra ver loja), almoçamos no Siga la Vaca (churrascaria cara e fraca onde só vai turista desavisado), vimos a Casa Rosada (sem emoção nenhuma), comemos medialunas em Puerto Madero (sem graça e o olho da cara) e fechamos a noite com um jantar e show de tango (fake e chato pra caralho, dormi na mesa quando fui).” Se esse é o seu caso, por favor, leia os links a seguir e volte já praquela cidade. Se você nunca foi, leia ao menos o terceiro link e vá por pura gordice, que la comida es de puta madre.

  1. Onde ficar?

  2. O que fazer?

  3. Onde comer?

Pode ir agora?

Sim. Netflix e Torrent tão aí pra isso. Separei os filmes que mais curti nessa jornada de Darín, pra que o próprio porteño seja seu guia no fds. Se você tem estômago pra ver filmes pesados, pode escolher El Secreto de Sus Ojos, Tesis Sobre un Homicidio e Elefante Blanco. Mas se você precisa de um respiro para lembrar o que a humanidade tem de bom, pega um vinho argentino, chama seu croissant de medialuna e vai num desses abaixo:

Un Cuento Chino

Um argentino e um chinês se juntam pra nos lembrar que a gente se prende demais em palavras, no nosso cotidiano, no que se parece com a gente. Daquele filmes que fazem a gente rir no silêncio.

Nueve Reinas

A malandragem carioca fica no chinelo perto da picaretagem porteña, que ganha vida nos protagonistas do filme. O diretor diz que o filme é uma homenagem à mentira e, assim, ao cinema.

El Hijo de la Novia

Argentinos sendo argentinos. Tem sofrência, tem diálogos fantásticos, tem deliciosos palavrões em espanhol a cada 20 palavras, tem Buenos Aires de cabo a rabo e, claro, tem Darín.

Relatos Selvajes

A tragicomédia da vida e nossa eterna incapacidade de manter o controle. Acho que só santos ou seres desprovidos de autocrítica não vão se identificar com algum personagem. E aí rir da própria desgraça.

Una Pistola en Cada Mano

Uma série de esquetes hilárias sobre homens com crise de meia-idade. Esse não se passa em Buenos Aires e sim em Barcelona, mas é tão bom que não pode ficar de fora da lista Darín. Meu favorito dele.

Medianeras

É a versão argentina de uma comédia romântica. Não tem o Darín, mas pela graça e sensibilidade, poderia ter. Coloquei na lista porque mostra um lado lindo e simples de Buenos Aires e do amor.

Aviso: vai ficar difícil não amar os hermanos depois dessa sequência. 😉

 

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