Mulher mochileira: não encane com a mala, não encane com a vida.

Você é mulher em 2017, você precisa ser linda. Inclusive viajando. Não foi isso que você aprendeu? Seu cabelo é a moldura do seu rosto, leve o secador. Leve também um óleo de argan e a chapinha, porque o clima pode ser úmido e ferrar com tudo. Falando em óleo, vai passar o que no corpo? Esse cotovelo seco não vai se hidratar sozinho, meu amor. Leve pelo menos hidratante pro corpo, pro rosto, pras mãos e pros lábios. E roupa? Uma mulher saber estar bem vestida para toda ocasião, então vá anotando aí: algo mais casual pra fazer as viagens internas, algo mais urbano (complete com acessórios) pra visitar os cafés e galerias hipsters, algo mais provocativo pra balada, algo mais clássico pra ir no museu e algo muito chique pra ir naquele jantar especial da viagem. Sapato incluso, gata. Ou você espera entrar em um restaurante estrelado de tênis? Pra essa ocasião, inclusive, capriche no vestido. Sei que no albergue não tem armário, mas dê um jeito de passar e pendurar esse negócio ou vai chegar toda amarrotada. Roupa amassada em mulher é sinal de desleixo. E a maquiagem? Você vai tirar fotos que vão rodar as redes sociais com essa cara lavada? No mínimo rímel, batom e um pó, pra esconder que a sua pele nem sempre aceita bem mudanças no cardápio. Agora conta tudo. São 20 dias? Tem como parecer que você usou uma roupa diferente por dia? Ótimo, isso é fundamental. Hora de tematizar isso aí, pra mostrar que você tem um ótimo senso estético. Tá indo pra Roma? Precisa de uma sandália gladiadora. Tá indo pra Tailândia? Estampas tropicais, por favor. Reino Unido? Corre comprar alguma coisa xadrez. Já conferiu se os sutiãs não aparecem embaixo de nenhuma blusa nas 40 combinações? Se aparecer, compre um com alças especiais que não apareçam. Faça-me o favor, não seja vulgar. Falando nisso, não esqueça o pijama, você não pode andar pelo hostel de camisola curta. Pegou um chinelo, uma blusa e umas meias? Ótimo. Agora dê um jeito de colocar tudo isso em uma mala, faça as unhas, faça depilação, faça as sobrancelhas e boa viagem!

Mas você é mulher em 2017, você precisa ser prática. Inclusive viajando. A palavra de ordem no nosso universo classe média é desapego. Você não pode ser diferente. Suas amigas viajam sem despachar a mala, você vai levar esse container?  Pra começar, nem pense em levar secador de cabelo. Não importa como é o clima lá, seu cabelo vai ser do jeitinho que ele é: natural. Aliás, não seja fútil, tire esses sapatos da mala. Mochileira que é mochileira vai até pra balada com botas de trekking. No restaurante chique (você precisa conhecer, comida é cultura e o que valem são as experiências) use o que tiver na mala. Talvez o pessoal fique olhando pra você meio torto, mas é porque eles não entendem sua filosofia. Seja a Joana d’Arc da calça jeans. E pra que tanta roupa assim? Leve duas camisetas brancas, uma legging, um short e vá lavando no banho. Se quiser variar, compre uma calça saruel na primeira feirinha que encontrar no seu destino. Ela parece um pouco uma calça de palhaço, eu sei, mas pra você tudo o que importa é o conforto – e com ela ninguém fica olhando muito pra sua bunda. Nem pense em levar roupas que combinam com o lugar, esse é o cúmulo do ridículo. Você não tá indo pra um desfile de moda e muito menos pra uma festa a fantasia! Falando nisso, maquiagem é superficial demais pra ocupar espaço na sua mochila cheia de livros. Leve só um lip balm e um protetor solar, é uma questão de saúde, não de frivolidade. Pra completar a nécessaire microscópica, use potinhos pequenos pra shampoo e condicionador. Sabonete sempre tem no albergue. Aqueles pequenos que não fazem espuma, mas tá valendo. Sobre roupas de baixo, é fácil: separe meia dúzia de calcinhas e dois sutiãs. Eles aparecem embaixo da blusa? Se vire. Tem gente passando fome e você querendo comprar mais um meia-taça? Lembrou de um chinelo, uma blusa e umas meias? Ótimo. Agora não seja besta de ir no salão. Pegue uma lixa de unha, uma gilete, uma pinça e boa viagem!

Eu também sou mulher em 2017 e digo: se com essas duas vozes é difícil arrumar a mala, imagina tocar a vida. Tá todo mundo dizendo que o Dia Internacional da Mulher não é dia de dar os parabéns. Mas eu dou, sim. Parabéns pra você que consegue conviver com essa dualidade o tempo todo sem enlouquecer. Na viagem, no trabalho, no relacionamento, não é fácil. Eu acho que nós vamos levar um tempo pra chegar a um equilíbrio, mas vamos conseguir. Em algum momento vamos poder escolher o que usar, o que fazer e o que ser de forma totalmente livre. Sem a preocupação com o que os outros vão pensar. Se vão dizer que somos patricinhas carregando malas pesadas ou hippies descabeladas carregando uma mochilinha. Um dia esses conceitos não vão nem existir e esse texto vai deixar de fazer sentido. Ainda vamos nos desencanar dessa maluquice toda, na mala e na vida. Estamos no caminho certo. Agora força, coragem e pé na estrada. É hora de ocupar esse mundo. Mais da metade dele é nosso. 😉

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